Essa pergunta tem rondado a minha cabeça desde criei o blog. Não era exatamente o nome que pretendia dar pra ele, mas como cheguei um pouco tarde nesse universo, uma vasta gama de nomes mais oportunos já estava registrada. Paciência.
E comecei então a pensar nos motivos que me levaram a escrever. O principal deles, as tais experiências vividas nos últimos meses me levaram a conclusão de que eu nada mais era do que uma garota perdida de 20 e poucos anos tentando se encontrar.
É engraçado como quase sempre estamos na esperança de algo num futuro, às vezes próximo, outras vezes nem tanto.
Lembro que quando estava no início da adolescência esperava pelos tais 15 anos. Não pela festa, porque nunca fiz questão disso, mas achava que seria um "passaporte" para a vida "adulta". hahaha! Depois queria ter 18 anos, estar na faculdade e poder entrar em qualquer lugar sem o risco de ser barrada na porta. Nessa época, eu quase me perdi... ia pra balada quase todos os dias e não perdia uma rave na cidade. Mas a empolgação logo passou e queria ter a minha grana, trabalhar e ser independente. A expectativa então passou a ser terminar a faculdade e, de diploma na mão, ir pra uma cidade maior em busca de novas experiências. A falta de privacidade na minha cidade, que apesar de ser capital é bem provinciana, incomodava bastante. Não dava pra ter nem 1/3 da liberdade almejada sem que o falatório tomasse conta da cidade.
Com o diploma na mão, terminei um quase casamento de 4 anos e meio (!) e me mandei pra São Paulo. Estava certa que a vida não era na minha cidade. De que, em SP, encontraria tudo o que me faltava na tal cidade provinciana. E realmente encontrei. Passei por cada situação que ainda vai render muito aqui no blog.
Mas o que exatamente eu estava procurando? Acima de tudo, liberdade e anonimato. Pessoas interessantes, mais preocupadas em cuidar da sua vida do que prestar atenção na alheia. Mas me deparei com muitas situações novas. Aprendi a dar o devido valor à roupa que sempre chegou lavada e passada no guarda-roupa; na comida pronta, na mesa; nas louças sujas que nunca havia lavado; nas contas da casa... Quem nunca precisou fazer nada disso só entende o quão trabalhoso é quando se depara tendo que administrar esse organismo pela primeira vez.
E descobri uma coisa maravilhosa: me sinto em casa em qualquer lugar. Nunca bateu aqueeeeeeela saudade de casa, da minha cama, dos meus travesseiros... eu realmente me sentia em casa, mesmo que passasse cada semana na casa de um amigo diferente.
Quando comecei a me perguntar se tinha encontrado o que tanto procurava, a princípio pensei que sim. Que aquela vida me bastava e que iria batalhar pra ficar ali. Em pouco tempo descobri que não. Quero agora morar fora do Brasil, aprender a falar inglês fluentemente, vivenciar uma outra cultura e definitivamente me ver sozinha no mundo para aprender de vez a me virar.
Essa inquietude é normal? Vocês sentem isso? Às vezes me sinto tão egoísta por buscar tanto o que quero mesmo que para isso deixe várias pessoas pra trás.
Precisei voltar pra tal província, com a felicidade que antes não havia. A expectativa agora gira em torno da Austrália. Será que o meu visto sai? Será que vou gostar e vai dar tudo certo? Será que fico por lá?
Perguntas por enquanto sem respostas. Mas se a inquietude que existe em mim permanecer, não vou parar quieta num lugar tão cedo.
"Que a Liberdade seja a nossa própria substância"
(Simone de Beauvoir)


Postar um comentário